Discriminação no Arrendamento: Reclamar em Portugal

Discriminação & igualdade de tratamento 3 min de leitura · publicado 9 de março de 2026

Se sente que foi tratado de forma desigual pelo senhorio ou por agentes imobiliários, saiba que, como inquilino em Portugal, tem direito a reclamar e exigir igualdade de tratamento. Este artigo explica, em linguagem clara e prática, quais comportamentos podem configurar discriminação no arrendamento, que provas reunir, quais os prazos legais a observar e onde apresentar a queixa. Inclui passos concretos para documentar ocorrências, opções administrativas e judiciais, e conselhos para comunicar de forma segura com o senhorio. Mesmo sem formação jurídica, pode preparar um processo sólido seguindo estas orientações e usar os recursos oficiais disponíveis em Portugal para defender os seus direitos.

O que é discriminação no arrendamento?

A discriminação no arrendamento ocorre quando uma decisão ou comportamento relativo ao contrato de arrendamento é baseado em motivos proibidos (por exemplo, raça, género, estado civil ou ter filhos), impedindo o acesso ou a permanência na habitação. A legislação aplicável inclui o NRAU e as normas do Código Civil que regulam contratos de arrendamento.[1]

Em geral, a discriminação inclui recusar o arrendamento por motivos pessoais.

Como recolher provas e documentar

Reunir provas sólidas é essencial para sustentar uma reclamação. Guarde tudo de forma organizada e cronológica; quanto mais detalhado estiver o registo, maior a utilidade em processos administrativos ou judiciais.

  • Fotos e vídeos (evidence) de condições do imóvel ou mensagens do senhorio.
  • Registos de chamadas, mensagens de texto e e-mails com o senhorio.
  • Contratos, recibos e notificações escritas entregues (form).
  • Contactos e declarações por escrito de testemunhas.
Detalhar datas e contextos ajuda a tornar as provas mais claras.

Que prazos e procedimentos seguir?

Há prazos a observar antes de avançar para instâncias formais. Comece por registar a situação e notificar o senhorio por escrito; se não houver resposta ou correção, avance para os mecanismos oficiais. Em Portugal existem instrumentos administrativos e judiciais para estes casos.

  • Notifique o problema por escrito e peça correção dentro de um prazo concreto (days).
  • Se não houver solução, submeta a queixa ao Balcão do Arrendatário e do Senhorio (BAS/BNA) ou use formulários oficiais (days).[2]
  • Em situações graves, considere a via judicial para contestar atos discriminatórios ou proteger o seu contrato (eviction).
Responder a notificações e avisos dentro dos prazos é essencial para não perder direitos.

Como Proceder

  1. Reunir todas as provas (evidence) e organizá‑las por data.
  2. Enviar uma reclamação formal por escrito ao senhorio, guardando cópia e comprovativos.
  3. Contactar serviços de apoio ao inquilino ou linhas de assistência para obter orientação.
  4. Submeter a queixa ao Balcão do Arrendatário e do Senhorio (BAS/BNA) através do portal Citius e anexar provas.
  5. Se necessário, procurar apoio jurídico e avaliar a possibilidade de ação judicial.
Conserve cópias de tudo e anote quando e como cada peça de prova foi obtida.

Perguntas Frequentes

Posso reclamar se o senhorio recusar alugar por ter filhos?
Sim. Recusar inquilinos por terem filhos pode ser discriminação; recolha provas e peça orientação para apresentar queixa.
O que faz o Balcão do Arrendatário e do Senhorio (BAS/BNA)?
O Balcão recebe reclamações, pode mediar conflitos e encaminhar processos, além de disponibilizar formulários e orientações oficiais.
Preciso de advogado para avançar?
Nem sempre. Muitos procedimentos administrativos permitem apresentar queixa sem advogado, mas em casos complexos o apoio jurídico é recomendável.

Principais Conclusões

  • Documente tudo com fotos, mensagens e recibos.
  • Atente aos prazos e responda a notificações rapidamente.
  • Use o Balcão e os recursos oficiais antes de seguir para tribunal.

Ajuda e Recursos


  1. [1] DRE - Lei n.º 6/2006
  2. [2] Citius - Balcão do Arrendatário e do Senhorio
Bob Jones
Bob Jones

Editor e Investigador, Tenant Rights Portugal

Bob redige e revê conteúdos sobre direito do arrendamento para várias regiões. É apaixonado por justiça habitacional e por simplificar as proteções legais para arrendatários em todo o lado.